Comentando – Shin Sekai Yori #05

Contraste imenso.

No último episódio houve muita falação e pouca ação. Não como se fosse um ponto negativo, mas ficamos restritos a poucos momentos intensos para absorver muita informação em pouco tempo. Em contrapartida, agora temos um episódio mais simples, com uma trama ainda misteriosa, mas, dessa vez, acerca de o que irá acontecer com os personagens.

A preocupação principal de quem vê Shin Sekai agora está próxima da interação com os protagonistas, principalmente, neste caso, com Saki e Satoru. Antes tínhamos apenas receio e anseio em entender um mundo e, mesmo que ainda falte muita coisa para compreender, o foco principal é a correria e a suspensão de cenas. Algumas delas não conseguiram ser muito bem aplicadas, principalmente o início e a falta de explicação com o que aconteceu com os outros três personagens que se separaram.

Um problema de timing? Uma proposital relevância para a aflição? Quem sabe?..

Shin Sekai Yori #5

A Sweltering Night on the Run

A coloração dos cenários e objetos em Shin Sekai ainda surpreende. Não há como saber ao certo se é uma má adaptação, ainda que usando disso para dar um visual diferenciado; ou se os cenários em sépia ou negativo são realmente essenciais para o clima de certas tomadas.

O fato é que várias cenas ficaram menos aconchegantes nesse episódio, seja com intuito com não. Tivemos, até então, um anime com uma ambientação feudal, tranquila, as próprias paisagens eram amenas… Até entrarmos no mundo dos queerats, ou o que seja, e termos a noção de como são as florestas, o mundo “lá fora”.

Mesmo no quarto episódio, onde as crianças começaram a descobrir os perigos da construção de sua sociedade, havia cenas bonitas. Assim como no terceiro episódio, onde Shun e Saki tiveram uma cena ‘romântica’ no rio. Mas, quando eles saem e são obrigados a explorar esse mundo, veem construções rústicas de ‘vilas’, cavernas imundas, etc. Tudo o que estava escondido delas era o mal da humanidade. E essa representação pode ter ficado boa nas imagens “ruins”…

Há uma coisa difícil de entender e nem pretendo agora: como assim os ossos dos blowdogs são, tipo, umas shurikens? Perdi algo?

Como um meio de evolução, os blowdogs desenvolveram ossos como aqueles justamente para aniquilar, mesmo morrendo. Contra-producente, provavelmente uma ideia insana aplicar isso na prática para esses animais, mas aceitável.

Para piorar a estética do episódio, as expressões de todos os cinco protagonistas no início do episódio são infames. Satoru cheirando aquela shuriken, Saki temendo os acontecimentos com um rosto inexpressivo, Mamoru e Maria com as mesmas carinhas de sempre e… Shun… Teve uma parte de seu orgulho/instinto/liderança realçado ao se ver em uma situação onde é o único que pode salvar os amigos com ideias e raciocínio.

Grande parte das passagens de cena foram feitas sem movimentação, com mesmo desenhos fracos. Soou mal para um episódio com uma ação maior, ainda que o anime em si seja ‘parado’.

Com a passagem daquele início para quando Saki e Satoru iriam protagonizar o capítulo, houve certa inconsistência. “Não fiquem juntos! Dividam-se”, disse Shun. Sempre ficou claro que Satoru tem aquela quedinha por Saki, então já resolveu acompanhá-la, já que esse ponto crítico de sobrevivência iria deixar de lado suas diferenças.

Pode não parecer, ou é evidente, o fato é que Satoru é estressadinho e tenso. Em um momento difuso em relação às falas do minoshiro no episódio passado, seu objetivo ao longo da trama era fazer sexo com Saki já que não tinha mais nada para fazer. Ele errou, aparentou até ser proposital ele ter se ‘aproximado’ sem medo dos queerats para poder ficar de alguma forma a sós com Saki. EM uma situação em que eles só podem agir com o instinto, nada mais normal que a única coisa que eles farão é sexo.

Mas isso ficou tão óbvio, que, se Saki não tivesse se lembrado das falas do minoshiro, o episódio estaria até sendo infiel. Seria interessante se eles agissem exatamente como o mundo propõe e fizessem sexo que nem selvagens? Sim, faria sentido. Mas Saki tem poderes psíquicos mais elevados que os outros, por isso ela precisa ser diferente, se mostrar uma protagonista decente.

Não acredito que Satoru tenha uma confiança exagerada e seja tão autossuficiente. Não, ele apenas tinha em mente uma coisa, e faria o que precisasse para aliviar sua tensão.

Imagino que também não caiba mais comentar e nem citar a maioria dos pontos da animação do episódio, que foram escassos, desde dedos até olhos. Contudo, estudos de hoje em dia sugerem que, quando uma mulher coloca a cabeça para trás ‘balançando’ os cabelos, pode significar um meio de sedução. Plausível, e esse meio foi até forçado por Saki. Segundo essas estatísticas, em certo ponto ela queria fazer tanto quanto ele, embora estivesse sempre com um rosto desmotivado.

Assim, conclui-se que o subconsciente de Saki percebeu que a situação estava errada e foi superior à vontade crua dela. Assim, evitando que eles agissem como macacos.

A questão é: Satoru teria esse instinto tão forte de fazer coisinhas com Saki se não tivesse alguma atração prévia por ela? Se não fosse já muito nervoso e, mesmo que demonstre confiança, inseguro?

Mas ele conseguiu ter audácia o suficiente para esquecer isso, com a “persuasão” inútil de Saki, e dar aquele ovo para o queerat. Não sei o quão apelativa foi essa cena, mas me chamou a atenção por um motivo: realçou o nível de burrice e superficialidade desses animais supostamente humanos. Ou não. Sem contar as vozes deles. Não existe adaptação pior nesse anime que os efeitos sonoros dos animais, principalmente esses queerats, que não são nada assustadores mas, sim, quase hilários.

Uma cena boa, talvez por eu ter lembrado do preview, foi quando Satoru gritou incansavelmente “Eles estão vindo, eles estão vindo!”. Promoveu aquele certo feeling, uma leva rápida de transgressão com as cenas abruptas de Shin Sekai. Pois é, a trilha sonora pesada pegou bem.

Afinal, um episódio que finalmente dará um rumo ao enredo tem que ter algo de bom. E a outra tribo de queerats, onde temos um amigo que até se comunica com Saki e Satoru, já provou essa leva de  desenvolvimento.

E é claro que esse parte boa do episódio tinha que ser estragado com uma passagem de cena “peculiar”:

Como não poderia deixar de largar dúvidas, pergunto, por que razão esses queerats que conversaram com Saki e Satoru não pedem ajuda aos habitantes da vila diretamente? Há a suposição de que tudo o que aconteceu ali é um plano deles para fazer ‘uso’ de Saki e Satoru. Mas eles não seriam inteligentes o suficiente.

Assim, não há motivos para temerem as pessoas da vila e falarem tranquilamente com duas crianças. A não ser que saibam que eles estão sem os poderes. Mas eu imaginava que eles fossem é ficar irados e desapontados quando descobrissem que Saki e Satoru, na verdade, não podem mais usar o cantus.

Também não há um motivo aceitável, que não a evolução tremendamente rápida, para entendermos o porquê de eles conseguirem se comunicar com seres humanos enquanto os outros queerats, nos quais eles têm medo e são talvez superiores, são aparentemente mais burros.

Melhor: pelo jeito, apenas o nosso amigo lá consegue falar com humanos. E é estranho que apenas ele e a rainha dessa tribo tenham aparecido. Onde estão os outros? Há mais queerats que assim se comunicam com humanos?

Só uma coisa a dizer sobre a rainha: pior voz e… Mamilos. Sério, por quê?

Percebam que na imagem abaixo Saki está gritando:

Temos cenas tão “mecanizadas” ao longo do final do episódio que soam decentes em relação à artificialidade dos acontecimentos. Afinal, Satoru e Saki estão em um ninho de queerats, sem escolha a não ser ajudá-los a combater outros queerats ainda mais fortes. Ainda assim, volta e meio ambos aparecem com sorrisos, mesmo quando o amigo queerat fala sobre a mutilação que eles receberão e o escravismo a que serão impostos caso percam a guerra.

Então nós temos aquela cena épica, onde a inteligência dos humanos vai derrubar a arrogância dos queerats. Duas crianças, em uma cena com “saudações americanas”, explodem vários monstros.

Então, como parte de um roteiro infiel mas eficiente, terminamos sem entender muita coisa e apenas podendo especular. Uma proposta arriscada, onde, caso não haja algo interessante semana que vem, nossa ansiedade pode se tornar arrependimento em ter expectativas. Pelo menos sem considerar o preview do próximo episódio.

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15 Comentários

Arquivado em Animes, Comentando

15 respostas para Comentando – Shin Sekai Yori #05

  1. Cara, achei que esse anime até o 2º episódio estava um tanto perdido. Do 3º episódio, quando eles falam com o minoshiro, pra frente que começa a se esclarecer as coisas. Esse quinto episódio, por mais que eu tenha gostado dele (aliviar um pouco a tensão do anime), acho que só teve utilidade para mostrar que o que o minoshiro disse é verdade (cena da Saki com Satoru), e… só. O anime tá confirmado com 12/13 episódios, e eu gostei bastante da atmosfera, não quero que seja um Another da vida, que tentou fazer tudo o que devia ter sido distribuído nos episódios, vai ser muito decepcionante ;-;

  2. Background do anime todo estava lindo, mistura riscos que remetem a esboço, colorido com efeito de aquarela – se não for aquarela mesmo – e muitos detalhes. Visualmente o episódio vale pelo trabalho artístico da ambientalização e o uso ousado, porém inteligente da paleta de cores. Já vi tanta reclamação, até minha mesmo, então n vou falar da animação e dos fails no caracter desing desse episódio HDUHUHDWUHD. Achei a escolha do diretor desse episódio meio arriscada, mas não foi tão terrivel assim, agora é só esperar pra ver como vão amarrar as coisas no próximo episódio. Ótimo texto sr.sanguine

  3. SSY sempre me deixou intrigada, por isso é o meu favorito, mas esse epi intrigou pelos piores motivos. Eu tentei formular teorias, mas não dá: os produtores com certeza só podiam estar bêbados na hora de fazer o episódio. O cenário estava de tirar o folego, mas que poha aconteceu com o design dos personagens?
    Eles ficaram estranhamente “mais adultos”, o tom moe-moe foi amenizado, e nossos digiescolhidos visivelmente sofreram uma alteração, parecendo mais adultos, principalmente a Saki, estranhei muuuito; não acho que seja efeito, pois em geral, todos estavam mal desenhados, inexpressivos. Mal consigo acompanhar por causa desse inconveniente visual. Tinha muito recurso para o cenário, e zero para os personagens. Os personagens foram mal desenhados e pior ainda inseridos nos cenários, destoavam de uma forma gritante. Não foi intencial, erraram a mão mesmo.
    Foi o episódio em que eles se colocaram em uma real situação de perigo, sem poderes, sem saber pra onde ir, em um mundo que eles não conheciam, e as reações foram esquisitas. Não pareciam crianças superprotegidas em um novo mundo cruel. Estavam calmos e vazios demais, e até eu me peguei estranhando a voz do Mamoru (acertei o nome?), faltou desespero e a espontaneidade que eles tem de sobra.
    Muiiiii esquisito…mas é torcer para acertarem os trilhos☻

    • ” e nossos digiescolhidos visivelmente sofreram uma alteração, parecendo mais adultos..”

      SOCORRO KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.

      Tudo culpa da direção, vamos bater panelas na frente da A-1 nnn KK

  4. Acho que eu sou minoria aqui, mas eu gostei muito desse episódio. Tudo bem que a A-1 economizou um pouco com a animação, mas o apuro técnico do diretor foi muito bom. Os ângulos da câmera, a mudança nos filtros de cor, a luz… tudo ajudou a criar essa ideia de sair de um mundo seguro e bucólico, que foi bem trabalhado e apresentado nos primeiros episódios. Fora que os cenários continuam belíssimos.
    Outra coisa é que esse episódio abriu um monte de interpretações pro anime. Desde alusões a obras literárias de distopia até referências ao gênesis, Shin Sekai enriqueceu muito nesse episódio. Agora a direção tem uma gama de temas em cima dos quais trabalhar, e na minha opinião eles pareceram bem competentes para fazer isso pelo que vimos nos últimos episódios.

  5. lolman

    Esse episódio foi de longe o pior da série. Pelo que eu andei lendo, parece que por algum motivo teve uma staff diferente para esse episódio e o resultado foi esse apresentado. O character design mudou bruscamente, fazendo eu pensar durante os primeiros 8 minutos que poderia ter acontecido um time skip ou algum poder estranho fez eles crescerem. Depois fiquei com a teoria que fizeram essa mudança por causa do impacto de crianças tendo aquele insinuação sexual…embora eles não fizeram nada…(nessa parte no livro, tem handjob e um oral antes da Saki parar ao perceber que estava sendo observada). A inconsistência da animação foi visível, embora tenho que elogiar o cuidado maior nos cenários.

    Agora o que achei horrível mesmo foi a direção. Cenas de ação descuidada e cortes desconexos de cenas foram constantes. Ao invés do Shigeyasu Yamauchi colocar o nível excelente que fez em Casshern Sins, ele acabou apresentando aquele nível dos piores momentos do Yumekui Merry. Torço fortemente para que esse seja o primeiro e o último episódio do Shinsekai que ele dirigirá.

    Não posso negar que soltei um sorriso enorme quando vi no preview o char design voltando ao normal hahaha.

  6. gostei do post,comentou tudo,estou ansiosa pro próximo episódio ! :)

  7. Jhonny

    Só eu vou dropar o anime por causa desse epi? Queda absurda de qualidade, tanto gráfica quanto no enredo, sem nexo!

  8. Não sei onde o episódio foi ruim O-O o post explicou perfeitamente. Gostei muito do ritmo frenético e da ‘perseguição’, o cenário e trilha sonora também entraram em sincronia com o enredo, o único ponto negativo fica por conta dos personagens, ainda estão bem fracos, exceto pela protagonista, que é a melhor disparada. Gosto de histórias que começam sem nexo algum e vão revelando a verdadeira trama com o passar dos episódios, me lembra muito Lain em alguns momentos, ainda mais com os flashbacks, mas digo e repito que depois de LB (por eu ser fã -q) vai ser o melhor anime da temporada. Estou curioso pra ler a novel mas não quero perder toda a expectativa do anime l:

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